sábado, 9 de maio de 2009

O Ciberpunk nos anos 90 - Bruce Sterling


Esta é minha sexta e última coluna para a INTERZONE, como prometi um ano atrás quando comecei esta série. Adorei escrevê-la e gostaria de agradecer ao meu enérgico editor e aos indulgentes leitores da INTERZONE. Um agradecimento especial para aqueles que contribuíram para o projeto 'The SF Workshop Lexicon' que ainda continuará. Aqueles leitores que tiverem bala na agulha para comprar THE SIGNAL serão bem recompensados, eu acredito.

Nesta coluna final eu gostaria de falar francamente sobre o 'ciberpunk', não o sinônimo para o crime digital, mas o movimento literário.

Anos atrás, no frio inverno de 1985 (costumávamos ter invernos frios, antes do buraco na camada de ozônio) um artigo apareceu na INTERZONE, chamado 'THE NEW SCIENCE FICTION' (A Nova Ficção Científica), o primeiro manifesto do movimento 'ciberpunk'.

O artigo era uma análise da história e dos princípios dos gêneros da Ficção Científica, mas a palavra ‘ciberpunk’ não aparecia nele. 'A NOVA FC' apareceu em uma edição trimestral britânica escrita sob pseudônimo, cuja pequena circulação não refreava a sua grande ambição. Para o prazer de uma dúzia, tinha recentemente ganho uma capa colorida. Um ótimo lugar para um manifesto.

Vamos comparar este humilde acontecimento ao artigo recente 'CONFISSÕES DE UM EX-CIBERPUNK' do meu amigo e colega Mr.Lewis Shiner. Esta foi outra tentativa honesta, feita por alguém que esteve lá, de poder declarar que o ciberpunk está morto. O artigo de Shiner aparece no The New York Times de 7 de Janeiro de 1991.

Mais uma vez, uma oportuna, mas ilustrativa prova dos perigos paradoxais dos 'movimentos'. Uma avalanche que começou com um grito, em algum lugar das alturas, não pode ser contida pelas mãos daquele responsável por iniciá-la.

'Ciberpunk', antes de adquirir este rótulo e a sinistra repercussão, era generosa e aberta para todos, bem acessível e anárquica, com uma atitude do tipo 'faça-você-mesmo', um etos compartilhado com a música de garagem das bandas punk dos anos 70. O órgão de propaganda do ciberpunk, 'CHEAP TRUTH' (verdade barata) era distribuído gratuitamente para qualquer um que pedisse. Nunca teve copyright, a fotocópia pirata era ativamente encorajada. Todos os contribuintes de CHEAP TRUTH tinham sempre pseudônimos, uma tentativa igualitária de evitar qualquer culto a personalidade. CHEAP TRUTH deliberadamente batia nos gurus do establishment e conclamava a qualquer um que soubesse usar um processador de textos a se juntar à causa. Para estes padrões ingênuos, a FC tinha que ser simplesmente 'boa', 'viva' e 'legível'. Mas quando colocadas em prática, estas supostas qualidades se tornavam outra coisa.

A fumaça da batalha obscurecia os grandes ideais.

CHEAP TRUTH teve um relativo sucesso. Tínhamos uma compreensão salutar do básico: Os escritores de FC deviam trabalhar duro e se livrar de toda aquela porcaria batida do gênero, se queriam ganhar respeito de verdade. Muitos concordam que esta era uma ótima descrição - para os outros.

Em FC sempre foi fácil esquecer-se de alguns truísmos para enfatizar algumas trivialidades da FC como uma carreira: O duro trabalho diário na Velha Fábrica de Besteiras. Slogans como 'Concentração imaginativa' e 'literalidade tecnológica' são tratadas com a mesma indiferença. Aliais, se repetir um mantra fosse suficiente para reformular o gênero, o mundo teria estremecido certamente quando Aldiss e Knight propuseram o mesmo em 1956.

A luta da FC por qualidade era de fato notícia velha, exceto pela CHEAP TRUTH, cujos escritores eram jovens demais e limitados demais para saberem disso.Mas o terreno cultural tinha mudado, o que fazia muita diferença. A honesta 'literalidade tecnológica' dos anos 50, regozijava inquieta - nos anos 80 high-tech. Ela significava exatamente 'êxtase e medo'. O ciberpunk era 'esquisito', o que obscurecia a simplicidade básica de sua teoria-e-prática.

Quando os escritores ciberpunk começaram a ganhar real notoriedade, a idéia dos princípios do ciberpunk, de ser aberta e acessível para qualquer um, tinha se perdido nas trevas. Ciberpunk tornou-se um 'Cult' instantâneo, talvez o primeiro da Ficção Científica moderna. Mesmo aqueles que simpatizam com a retórica CHEAP TRUTH, não confiavam no culto em si, simplesmente por eles mesmos terem se tornado 'gurus do gênero'.

Precisa-se de pouco para se tornar um ‘guru do gênero’.
Basicamente é fácil como se virar na cama. Questionável é o que se ganha com isso.
Afinal, quem acredita em gurus?

CHEAP TRUTH nunca acreditou. Foram necessários 3 anos para o movimento hastear sua bandeira. CHEAP TRUTH fechou as portas em 1986.

Gostaria de poder pensar que isso serviria de lição, mas tenho minhas dúvidas.
Rucker, Shiner, Sterling, Shirley e Gibson -- os maiores 'gurus' do movimento, são citados no valioso artigo de Shiner para o NY TIMES - eles são os 'ciberpunks'.

Outros ciberpunks, como aqueles que contribuíram para a MIRRORSHADE - THE CIBERPUNK ANTHOLOGY, podem de certo modo também chegar a serem assim taxados, mais ou menos. Mas a aterrorizante palavra que começa com 'C', provavelmente estará gravada em nossas lápides.

Desaprovar publicamente não serve para nada, até seria pior. Mesmo a menor mudança em nossa filosofia como escritores, talvez por uma estranha crise de meia idade ou conversão ao Islamismo ou a Santeria, não vai apagar esta mancha.

Visto por esta perspectiva, 'ciberpunk' significa simplesmente 'tudo que um ciberpunk escreve'.
O que cobre uma área bem grande. Sempre tive um fraco por fantasias históricas e Shiner também escreve romances populares e de mistério. Shirley escreve histórias de terror. Rucker escreveu algo sobre Hollow Earth e Gibson - surpresa ! - é conhecido por escrever contos curtos engraçados. Mas tudo isso não significa nada.

'Ciberpunk' não será considerada extinta, até que o último de nós seja enterrado. Demograficamente isso sugere que ainda vai levar algum tempo.



Os princípios da CHEAP TRUTH tiveram um uso dúbio - mesmo quando sustentadas bravamente pela INTERZONE.

Talvez fossem nebulosos demais e abstratos demais, misteriosos demais e inalcançáveis, o contrário da facilidade de se reconhecer os símbolos por trás daquela palavrinha que começa com 'C', tais como roupas de couro e dependentes de anfetaminas. Mas mesmo hoje, pode não ser tarde para dar um exemplo concreto da 'visão do mundo ' por um genuíno ciberpunk.

Pense em FRANKENSTEIN de Mary Shelley como sendo a nascente da FC como gênero literário. Por uma análise ciberpunk, FRANKENSTEIN é FC 'Humanista'. Ela promove e atesta romanticamente, que existem coisas que o homem não deve saber. Não são apenas mecanismos físicos que permeiam esta lição moral - ela trabalha com a compreensão transcendente da nossa mortalidade, algo que se relaciona com a vontade divina.

O excesso de confiança, a arrogância, precisa encontrar sua nêmeses.
Simplesmente é a natureza de nosso universo.

O Doutor Frankenstein comete uma transgressão, uma afronta contra a alma humana, e com memorável justiça poética ele é punido por sua própria criatura, o Monstro.

Agora imagine uma versão ciberpunk de FRANKENSTEIN. Em um mundo imaginário, o Monstro será o resultado de um bem organizado projeto de uma Corporação Global. O Monstro também fará um monte de estragos, de uma maneira quase casual. Mas por conta disso ele não será mandado para vagar no Pólo Norte, 'byronescamente'. Os Monstros ciberpunks não desaparecem assim tão convenientemente. Eles estão nas ruas, entre nós. Quase como se nós os fossemos. O Monstro com o copyright das novas leis genéticas é fabricado mundialmente aos milhares. Logo eles terão empregos noturnos em cadeias de fast-food.

No universo moral do ciberpunk, nós já sabemos aquilo que não deveríamos saber. Nossos avós já sabiam, Robert Oppenheimer em Los Alamos tornou-se o Destruidor de Mundos, antes mesmo de aparecermos em cena. No ciberpunk, a idéia de que existem limites sagrados para a ação do homem é uma desilusão. Não existe nada de sagrado para nos proteger de nós mesmos.
Nosso lugar no universo é puramente acidental. Somos fracos e mortais e não existe a vontade divina dos deuses. E isso é radicalmente insatisfatório, não por perdermos a proteção da deidade, mas por que olhando objetivamente o valor do sofrimento humano é basicamente nulo.

A condição humana pode ser mudada e sendo alterada, a única questão é como, e para que.
Esta convicção anti-humanista no ciberpunk não se trata de simplesmente um maneira literária de ultrajar a burguesia, é um fato objetivo sobre a cultura do final do século vinte.
O ciberpunk não inventou a situação, mas a refletiu.

Hoje em dia é quase comum ver respeitáveis cientistas expondo terríveis e radicais idéias; nanotecnologia, inteligência artificial, suspensão criogênica da morte, download de memórias...
A arrogância está solta nos corredores acadêmicos, onde todos e qualquer um, parece ter um plano para revirar o cosmos. A severa indignação moral ficou para os fracos.
Se existisse uma droga que pudesse expandir nossa sagrada (e dádiva de Deus) expectativa de vida, em pelo menos cem anos, o Papa seria o primeiro da fila.

Nós já vivemos, todos os dias, cometendo ações ultrajantes com conseqüências imprevisíveis para o mundo. A população mundial dobrou desde 1970, o mundo natural que costumava cercar a humanidade em seus mistérios, é agora algo catalogável e controlado.

Não somos bons o bastante para recusar coisas que não parecerem apropriadas. Como sociedade, sequer conseguimos banir ameaças abismais, como heroína e a bomba de hidrogênio. Como cultura gostamos de brincar com fogo, apenas por sua sedução, e se tiver dinheiro nisso, não existem barreiras que nos segurem.

Passar por cima dos cadáveres de Mary Shelley é o menor dos problemas, algo muito além desta linha acontece intensamente todos os dias.

A humanidade pensa em si mesma, de uma maneira sem precedentes, assim como um software de computador, que começa a se cristalizar, replicável como um produto de consumo.
Mesmo o interior de nossos cérebros não é mais sagrado, ao contrário, o cérebro humano é o primeiro alvo de pesquisas bem sucedidas, perguntas ontológicas e espirituais estão de fora! A idéia de que sob estas circunstâncias, a natureza humana está de algum modo destinado a prevalecer sobre a grande máquina, é infantil. É como se um roedor em sua jaula de laboratório filosofasse que, ter seu cérebro perfurado e ligado a fios em nome da Grande Ciência, fosse ao final, o triunfo da Natureza Roedora.

Tudo que pode ser feito a um rato pode ser feito a um ser humano.
E podemos fazer de tudo com um rato.
É difícil pensar que sim, mas é verdade. Não vai deixar de ser assim apenas cobrindo os olhos.

“ISSO” É CIBERPUNK.

Isso explica, espero que sim, o por que da ficção cientifica padrão ter falhado, azedado, em não corresponder às exigências. Lewis Shiner simplesmente perdeu a paciência com escritores que oferecem uma ficção banal e corriqueira ('sci-fiberpunk').

Estes escritores que 'transformaram o formato em fórmula' , queixa-se no artigo do NY TIMES, 'nos dão o mesmo tipo de ação que temos nos videogames e nos blockbusters de Hollywood'. Shiner não acrescenta muito, mas condena aquilo que a maioria chama de 'ciberpunk' e que não reflete os ideais do movimento.

Na minha opinião, as tolices derivadas disso são um problema menor.

A questão é a palavra 'ciberpunk'.



Vejo que é cada vez mais difícil escrever um livro qualquer e colocar a palavra 'ciberpunk' nele e esperar vendê-lo. Com esta palavra começada com 'C' desacreditada pela maioria das pessoas, qualquer um que se defina como 'ciberpunk' terá que se garantir sozinho. E não será fácil. Rótulos não garantem sua integridade própria, escritores sim, e principalmente os bons.

Tem outro ponto e que acredito ser importante para se entender realmente o movimento. Ciberpunk, assim como a New Wave antes dele, era a voz da boêmia. Veio do underground, de fora, dos jovens e sem franchise. Veio das pessoas que desconheciam seus limites próprios e se recusavam a aceitar os limites oferecidos a eles por mero costume ou hábito.

A FC não é muito boêmia na verdade, e a maioria dos boêmios tem pouco a ver com ela, mas há muito a se ganhar com o encontro dos dois. A FC como gênero, mesmo a mais convencional, pertence a um underground cultural. A influência da FC na sociedade, assim como a dúbia influência dos beatniks, hippies e punks, é limitada. A FC, como a boêmia, é um lugar onde se pode colocar uma grande variedade de pessoas, onde suas idéias e ações podem ser examinadas, sem o risco de colocar estas idéias e ações, diretamente em prática. A boêmia serviu para esta função desde o início da revolução industrial. Ciberpunk era a voz da boêmia dos anos 80.
Mudanças tecno-sociais dentro da sociedade contemporânea afetavam a contracultura e o ciberpunk era a encarnação literária deste fenômeno.

Mas hoje temos que admitir que os ciberpunks - veteranos da FC em seus quarenta anos ou perto disso, pacientemente refinando sua arte e recebendo seus cheques de pagamento - não pertencem mais ao underground boêmio. E isso é algo comum à respeito da boêmia; esta é a punição padrão para o sucesso. Um ‘underground popular’ é uma contradição em si.
E respeitabilidade não se possui simplesmente, ela aprisiona.
Neste sentido, ciberpunk é ainda mais perigosa do que Shiner admite.

O tempo e as oportunidades foram gentis para os ciberpunks, mas com o passar dos anos, eles próprios decidiram por mudar. Uma das doutrinas no núcleo teórico do movimento, consiste de 'intensidade visionária'. Mas faz algum tempo desde que algum ciberpunk escreveu algo realmente explosivo para as mentes, algo que nos fizesse uivar, alucinar e quebrar a mobília.
Nos últimos trabalhos destes veteranos, vemos enredos bem construídos, personagens aprimorados, prosa fina e mergulhos mais sérios e introspectivos no 'futurismo'. Mas vemos menos espontaneidade e menos loucura dançando encima das mesas. Os cenários são cada vez mais próximos dos dias atuais, perdendo os adornos rocambolescos barrocos da fantasia desatada; os problemas começaram a se parecer horrivelmente com as preocupações comuns da responsabilidade da meia idade. Isso pode ser bom, mas não é espetacular.

O aspecto vital da FC tem sido abdicado.
O ciberpunk simplesmente não está mais lá.

Mas a FC ainda está viva e se desenvolvendo. E a boêmia não vai desaparecer, e como a FC, ela não é uma moda passageira, embora alimente modas. Como a FC ela é antiga, antiga como a sociedade industrial da qual ambas são partes integrantes. Boêmia cibernética não é um evento bizarro, e quando os boêmios cibernéticos proclamam estar fazendo algo totalmente novo, estão inocentemente enganando a si mesmos, apenas por que são jovens.

Ciberpunks escrevem sobre o êxtase, sobre os perigos de se voar pelo ciberespaço e Verne escreveu sobre o êxtase e os perigos em 'Cinco semanas em um balão', e se você se afasta um pouco da circunstância histórica, verá que ambos servem à mesma função básica social. É claro que Verne, grande mestre, ainda é publicado, enquanto que o veredicto para o ciberpunk não é favorável. E é claro, Verne previu um futuro totalmente diferente, ele errou, exceto por alguns palpites de sorte, mas quem pode dizer que os ciberpunks não farão o mesmo.

Quando os praticantes do ciberpunk se regozijam com sua legitimidade não desejada, se torna mais difícil fingir que o ciberpunk era algo bizarro ou extravagante; é fácil ver hoje de onde isso veio e onde acabou. Ainda assim pode-se pensar que esta fidelidade a Jules Verne seja uma estranha declaração para um ciberpunk. Pode ser dito, por exemplo, que Jules Verne era um cara legal, que amava sua mãe, enquanto que os antihumanos ciberpunks são a favor das drogas, da anarquia, de plugues no cérebro e da destruição de tudo que é sagrado.

Esta objeção é falsa. Capitão Nemo era um anarco-terrorista tecnológico. Jules Verne distribuía panfletos radicais em 1848, quando as ruas de Paris estavam tomadas por cadáveres. E Jules Verne ainda assim é considerado um otimista vitoriano (aqueles que o leram devem duvidar disso) enquanto os ciberpunks são sempre vistos como niilistas. Por quê ? Talvez uma tendência da época em que surgiram, eu acho.

Existe bastante depressão no ciberpunk, mas ela é honesta. E êxtase, mas também medo. Sentado aqui, com um ouvido ligado nas noticias da televisão, ouço o senado americano debatendo sobre a guerra. Por trás destas palavras existem cidades em chamas e multidões sendo massacradas por ataques aéreos, soldados em choque por gás mostarda e Sarin.

Esta geração terá que assistir um século de destruições e desabandono batendo à porta e nós sabemos disso. Teremos sorte se não sofrermos muito devido aos danos ecológicos já cometidos; seremos extremamente sortudos se não assistirmos pela televisão, dezenas de milhares de seres humanos morrendo horrivelmente, enquanto nós ocidentais, sentamos nas nossas salas mastigando nossos cheeseburgers. E isso não é lamentação de um boêmio maluco, é uma observação objetiva sobre a condição do nosso mundo, facilmente confirmável por qualquer um com coragem de olhar para os fatos.

Isto deve e irá afetar nossa forma de pensar e expressar e sim, nossas ações; e se os escritores fecharem seus olhos para isso, poderão ainda fornecer entretenimento, mas não poderão se chamar de escritores de Ficção Científica. E ciberpunks são escritores de Ficção Científica - não um subgênero ou um culto, mas a coisa em si. Merecemos este titulo e não devemos ser privados disso.

Os anos 90 não serão dos ciberpunks. Nós estaremos lá trabalhando, mas não seremos 'O Movimento', não seremos nem mesmo 'nós' nunca mais. Os anos 90 pertencerão às gerações que cresceram nos anos 80. Todo o poder e a melhor das sortes para o Underground dos anos 90.

Eu não conheço você, mas sei que você estará lá. Levante-se e encare a vida. Dance em cima das mesas. Faça a coisa acontecer, e pode ser feito. Eu sei, eu estive lá.

Bruce Sterling (bruces@well.sf.ca.us)
Sixth INTERZONE column.

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